Governo e universidades são contra regulamentação da profissão de cientista

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Representantes dos ministérios do Trabalho e de Ciência e Tecnologia, das universidades federais e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) são contrários à regulamentação da profissão de cientista. Eles participaram de audiência pública realizada na última terça-feira (19) por duas comissões da Câmara dos Deputados (comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público; e de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática).

O secretário-executivo da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), Gustavo Henrique Balduíno, afirmou que os entraves burocráticos e o sistema vigente de fiscalização não podem ser aplicados aos cientistas. “Uma das coisas mais primordiais e mais defendidas em qualquer que seja o espaço de atuação do cientista é a liberdade dele como cientista”, afirmou.

A presidente da SBPC, Helena Nader, explicou que ser cientista é um ofício e não uma profissão. "Tem gente que está na sua casa utilizando método científico, está desenvolvendo um produto. [Com a regulamentação], ele não vai poder exercer isso mais?", questionou.

Novas audiências
O presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, deputado Fábio Sousa (PSDB-GO), lamentou a ausência dos convidados que defendem a regulamentação. Ele informou que a comissão vai realizar outras audiências para discutir o tema. "O Brasil não pode continuar tendo pouco investimento em inovação científica e tecnológica como tem", declarou.

Segundo dados da SBPC, o Brasil está entre os 20 primeiros países em número de publicações científicas. Atualmente, existem 155 mil bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) desenvolvendo pesquisas em diversas áreas.

A audiência desta quarta-feira foi sugerida por Fábio Sousa e pelo deputado Alexandre Baldy (PSDB-GO).