Brasil ainda longe de uma política para Internet das Coisas

Com dificuldade de discussões sobre o assunto, o tema voltou a ser tratado no Painel Telebrasil 2014, encontro anual do setor tecnológico em Brasilia


Embora prometa estar atento ao potencial da Internet das Coisas para fomentar o desenvolvimento, há sinais de que o governo segue às escuras sobre como fomentar essa nova onda tecnológica. O primeiro deles se nota na própria demora em reduzir a tributação dos dispositivos de comunicação máquina a máquina. Mais do que isso, as discussões sobre o assunto ainda têm dificuldades para avançar além dos chavões.
O assunto, de claro interesse para as operadoras de telecomunicações, voltou a ser tratado nesta terça, 9/9, nos seminários prévios ao Painel Telebrasil 2014 - encontro anual do setor em Brasília com foco nas discussões sobre políticas públicas. Entre os desejos de ver políticas de Estado, de longo prazo, e a realidade, a sensação ainda é pouco auspiciosa.
"Os incentivos do governo aos serviços M2M são importantes, mas não são suficientes. É preciso pensar, entender quais são os motivos por que isso ainda não decolou com a força desejada. De todos os exemplos citados, não temos nem metade no Brasil", resume o diretor de relações governamentais da Qualcomm, Francisco Giacomini Soares.
E eles são vários. Sensores em carros, casas e mesmo nas pessoas são listados entre as maravilhas da apelidada Internet de todas as coisas. Mas sequer a esperada desoneração das comunicações máquina a máquina, prevista em Lei ainda em 2012, sofre para se materializar. O Decreto (8.234) veio em maio deste ano, mas ainda depende de uma Portaria do Ministério das Comunicações.
"A Portaria está pronta, estamos nos últimos ajustes", garante o diretor de Indústria, Ciência e Tecnologia do Ministério das Comunicações, José Gontijo. Ele não se compromete, no entanto, com prazo para efetiva publicação. "Esperamos que saia antes de completar um ano", emenda. Ou seja, que a desoneração se torne realidade antes do próximo período de recolhimento do Fistel.
IPv6
Como ressalta a assessora especial do BNDES, Margarida Baptista, o mais importante é o país decidir o que quer fazer com as novas possibilidades associadas à Internet das coisas. "Os países estão com programas de 20, 30 anos para dar conta dessa realidade e usar como ferramenta para solução de seus problemas. É uma tecnologia de futuro, mas é urgente uma decisão agora."
Mas há um ponto que, ela destaca, precisa ser tratado com ainda mais urgência - a transição efetiva para o novo sistema de endereçamento na rede mundial, o IPv6. "Precisamos ter endereços IP suficientes para suportar tudo", lembra. O Comitê Gestor da Internet no Brasil avalia que o Brasil é um dos países mais preparados para essa migração, mas os detentores das redes ainda não decidiram fazer esse investimento.
Fonte: Rede Cidades Digitais / Convergência Digital